quarta-feira, 18 de maio de 2011

Semana 'Poesia': Auta de Souza (III)

NOITE CRUEL


A meu irmão Henrique



Morrer... morrer... morrer... Fechar na terra os olhos
A tudo o que se ama, a tudo o que se adora!
E nunca mais ouvir a música sonora
Da Ilusão a cantar da vida nos refolhos...

Sentir o coração ferir-se nos escolhos
Do tormentoso Mar - pobre vaga que chora! -
E no arranco final da derradeira hora,
Soluçando morrer num oceano de abrolhos.

Nem ao menos beijar - ó supremo desgôsto! -
A mão doce e fiel que nos enxuga o rosto
Mostrando-nos o Céu suspenso de uma Cruz...

A perguntar a Deus na agonia e nas trevas:
Onde fica, Senhor, a terra que nos levas,
Com as mãos postas no seio e os dois olhos sem luz?!

Alto da Saudade




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Bem, apenas quero expô-lo. Ele por si só expressa as dúvidas que muitos de nós pensamos sobre a morte. Não gosto de discutí-la, não me sinto preparado para tal, embora já tenha perdido tanta gente querida entre os meus. Confortem-se com esse poema e até amanhã!


Abson.

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